domingo, 22 de junho de 2008

Educar o Olhar


A fotografia como metáfora para educação do olhar

Se tomarmos ao pé da letra o verbo “fotografar”, então teremos a atividade de escrever com a luz. Nesse sentido, a escrita com a luz pode ser considerada como uma metáfora oportuna e necessária para uma educação do olhar.

O que é o olhar humano senão um registro único, individual, portanto, impossível de se repetir, de tudo quanto é escrito pela luz. Como registro único do que se vê, o olhar é, indispensavelmente, interpretação, transformação e reescrita do que se vê, gratuitamente, em tudo que o mundo nos proporciona. Uma vez visto, registra-se na memória e nos sentidos de quem vê.

Da mesma maneira que o olhar humano registra individualmente o que se vê, também a fotografia faz seus registros particulares. Uma fotografia é, necessariamente, um registro individual, ou seja, a cena fotografada será sempre uma leitura daquele que fotografa. A foto, portanto, também é impossível de ser repetida (digo repetida, e não reproduzida), por quem quer que seja, nem mesmo aquele que fotografa. Uma fotografia é sempre um trabalho único.

O trabalho do fotógrafo, ou seja, daquele que escreve/registra através da luz, através de imagens, assemelha-se ao do escritor, que escreve por palavras. Ou seja, o escritor, antes de mais nada, olha, observa o mundo que o rodeia, ele sente e pensa as cores do mundo para que possa registrá-las, grafá-las através da linguagem escrita. Assim é o trabalho do artista, observar, olhar e sentir o mundo que o rodeia. Um poço de sensibilidade a transformar o mundo com impulsos poéticos.

Impulsos poéticos são raros no mundo em que vivemos. A fugacidade do mundo contemporâneo deseduca constantemente nossos sentidos. Mal vemos, mal comemos, mal conversamos, mal dormimos, ouvimos mal e mal fazemos amor poeticamente. Acostumados a correr, corremos sem perceber que corremos. Privamos nosso olhar e nossos demais sentidos da educação necessária do dia-a-dia.

Cidades e mundos modernos são mais que concreto e asfalto, buzina de auto-móvel e fumaça de óleo diesel. Devemos reeducar nosso olhar, ver alem do que se vê, ainda somos humanos, ainda que demasiadamente, seres inigualáveis. Ainda somos poetas. Constantes fazedores de imaginações, ainda somos inegáveis photóphilos, façamos poesias grafando nossas imagens.

Prof. Josué Borges



O texto e a foto são meus.


quinta-feira, 5 de junho de 2008

Ser e Tempo


Paciência

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

A vida não pára!...
A vida é tão rara!...



Composição: Lenine e Dudu Falcão