segunda-feira, 28 de abril de 2008

Todos são o que são

TODOS

Todas as pessoas são pessoas

Todos os bichos são bichos

Todas as pedras são pedras

Todos os insetos são insetos

Todas as camas são camas

Todas as portas são portas

Todas as casas são casas

Todos os ventos são ventos

Todas as comidas são comidas

Todos os lugares são lugares

Todos vocês são vocês

Todas as manhãs são manhãs

Todas as paredes são paredes

Todas as escadas são degraus

Todas as vozes são vocais

Todo amanhã vem depois

Todas as coisas são coisas

Todo desejo é insólito

Todo todo é todo

Toda parte é parte

Todo sim pode ser não

Todo não pode ser sim

Todo mundo é ninguém

Todo mundo é parte

Todo mundo está aí

Toda voz é um som

Todo som é ouvido

Todo escuro é escuro

Todo silêncio é calado

Toda vez é talvez

Toda terra e mar

Todo mar e terra

Todos eles são eles

Todo amor é sagrado

Toda dor é sagrada

Toda paixão é sagrada

Todo aqui é lugar

Todo aqui é tempo

Todo ontem já foi

Todo hoje ainda é

Todas as pessoas são elas

Todas elas são pessoas

Todo silêncio é sagrado

Toda voz é sagrada

Todo canto é sagrado

Toda lágrima é sagrada

Todo pecado é sagrado

Todo pecado é pecado

Todo pecado é

Toda carne é sagrada

Toda alma é

Todo querer é

Todo é

Todas as mulheres são mulheres

Todos os homens são homens

Todos os filhos são filhos

Todos os pais são pais

Todas as mães são mães

Toda vida é vida

Todo céu é um teto

Todo chão é um

Todas as vezes são paixões

Todas as paixões são

Todos os amores são

Todos os desejos são

Todos são todos todos

Toda nudez é

Toda vez é

Todos vocês são

Todas as coisas

Todo o universo é

Todo amor

Todo o universo é

Toda a dor

Todas as vezes eu fala

Todas as vezes me calo

Todas as vezes eu amo

Todas as pessoas são pessoas

Todas as palavras são palavras

Todas as palavras são coisas

Todas as coisas são

Todas as manhãs são palavras

Todos os escuros são noites

Todas as noites são estrelas

Todas as estrelas são

Todas as dores são sagradas

Todas as paixões são sagradas

Todos os desejos são sagrados

Todos os amores são sagrados

Todos são o que são.

Josué Borges – Presidente Olegário, 28 de abril de 2008.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Estas pessoas sabem que as amo

L'amitié

by Françoise Hardy

Beaucoup de mes amis sont venus des nuages
Avec soleil et pluie comme simples bagages
Ils ont fait la saison des amitiés sincères
La plus belle saison des quatre de la Terre

Ils ont cette douceur des plus beaux paysages
Et la fidélité des oiseaux de passage
Dans leurs cœurs est gravée une infinie tendresse
Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse
Alors, ils viennent se chauffer chez moi
Et toi aussi, tu viendras

Tu pourras repartir au fin fond des nuages
Et de nouveau sourire à bien d'autres visages
Donner autour de toi un peu de ta tendresse
Lorsqu'un autre voudra te cacher sa tristesse

Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne
Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne
S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne
J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines
Alors, peut-être je viendrai chez toi
Chauffer mon cœur à ton bois

UMA LIÇÃO QUE RAUL ME DÁ TODOS OS DIAS

MALUCO BELEZA (Raul Seixas)

Enquanto você
Se esforça pra ser
Um sujeito normal
E fazer tudo igual...

Eu do meu lado
Aprendendo a ser louco
Maluco total
Na loucura real...

Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez...


Vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza...

E esse caminho
Que eu mesmo escolhi
É tão fácil seguir
Por não ter onde ir...

Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez
Eeeeeeeeuu!...
Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez

Vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com certeza
Maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com toda certeza
Maluco, maluco beleza...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Frutos e usos

ALGO SOBRE A DOR*

Josué Borges de Araújo Godinho[1]

Tratemos do sofrimento ou da dor como algo intrínseco ao homem, ao contrário da felicidade ou bem-estar. Estas duas últimas, no sentido de estado inativo, ou seja, um estado em que se fica ao acaso, sem se preocupar ou ter consciência de possíveis infortúnios que possam advir.

Schopenhauer, na obra Parerga e Paraliponema[2], no capítulo intitulado “Contribuições à Doutrina do Sofrimento do Mundo” discorre acerca da contradição, e, segundo sua doutrina, da supremacia da infelicidade sobre a felicidade.

Em todos os relatos da história da humanidade, os momentos de paz resumem-se em breves momentos, pequenos períodos. Os períodos de guerras e conflitos, por sua vez, ocupam a maior parte de sua história, inumeráveis foram e são crises. Um constante estado de lutas acompanha a vida do homem. Luta com a vida, com o tempo, luta com seus opositores.

Mas esse constante estado de lutas é necessário ao homem. Sua própria natureza o dispõe a isso. Ele necessita de necessidades, necessita de dificuldades, de suas preocupações. Estes fatores, por sua vez, funcionam como um impulso, como um alerta de que o constante movimento em função de algo é necessário. Bem como de que todos estão sujeitos a enfrentar suas dificuldades e desgraças. Imagine-se o caso da doutrina cristã. Deus não criou um mundo de necessidades e misérias. Ao contrario do que se pensa, essas são criadas pelo homem, pois lhe são necessárias. Suponhamos então, que este mesmo Deus criou um mundo onde todas as coisas funcionam perfeitamente, de sorte que o homem não tenha que mover o mínimo esforço para que tenha o necessário à sua sobrevivência, pois que tudo se encontra em seu fácil alcance. Inexistem problemas, trabalhos, doenças etc., em tais circunstancias pressupõe-se um constante estado de bem-estar e felicidade – situações que, nessas circunstancias eram condenadas por Schopenhauer -, pois levariam o homem ao tédio, um de seus extremos. Mas esse extremo, por sua vez, leva o homem a um outro extremo, o da necessidade – necessidade de movimentos, de percepções, ações etc. esse contraste entre o tédio e a necessidade de movimentos leva à explosão desse estado, justamente por essa falta de pressões ou conflitos, apontando sempre para um estado, ou estágio posterior. Em circunstâncias assim, o homem promoveria situações conflitantes, situações de crises, o que aponta para a necessidade de mudanças de determinadas situações, que o status quo deve ser quebrado, deve sair sempre do marasmo causado pelo estado de deleite em que se encontrava o homem. Esta a felicidade criticada por Schopenhauer.

Ainda na doutrina cristã, Schopenhauer fala da culpa (advinda do pecado original?), à qual estão fadados os homens. Voltemos ao mundo perfeito gerado por deus, o Éden. O tédio gerado pela felicidade edenica desmotivada levou Adão e Eva a quebrarem uma situação pré-estabelecida. Sua atitude fez com que seu criador Expulsasse-os do paraíso. A partir de então, eles e todas as gerações posteriores estarão fadados a trabalhar para conseguir seu alimento, a sofrer, afetados por doenças, a passar por conflitos, guerras etc. de forma a reparar este erro primeiro, todas as gerações serão marcadas com essa culpa, todas deverão sofrer e sentir dor. Nota-se, portanto, uma alternância entre “movimento e parada”, ou seja, para que as gerações posteriores tenham paz, tenham calmaria, terão que passar por guerras, conflitos e sofrimentos; mas, até quando dura o período de paz? Até que este se faça enfadonho, sendo necessário, para a mudança, outro conflito, é a crise, que se encontra entre a saída de um estado e o começo de outro. Sempre a mesma seqüência, movimento – parada, guerra – paz, dor – prazer etc.


Mas o sentimento de culpa não se encontra somente na doutrina cristã, está presente em diversas outras culturas. Entretanto, o movimento que faz a maioria destas se faz no sentido de amenizar esta culpa. Os cristãos tentam amenizá-la com caridades, com o amor ao próximo; muitas culturas orientais buscam-na através de uma reaproximação telúrica, ou seja, através da harmonia homem-natureza etc. Mas o homem trágico, este abraça sua culpa, vive-a até as ultimas conseqüências; tem a coragem de vivê-la. Ele está em função disso, de forma que, parece estar indiferente ao mundo que o rodeia.



* Texto desenvolvido a partir da idéia: “O homem trágico tem a coragem da culpa já existente na essência humana”, termo utilizado por Emil Staiger em seu Conceitos fundamentais da poética, e apresentado à disciplina de Teoria da Literatura II, ministrada pela Professora Doutora Goiandira de F. Ortiz de Camargo, na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás, no ano de 2002.

[1] Aluno do 3º ano do curso de Letras, Bacharelando em Literatura.

[2] SCHOPENHAUER, Arthur. Schopenhauer – Vida e Obra. In Coleção Os Pensadores. São Paulo, 2000.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Coragem

Carece de ter coragem, de muita coragem, a vida é perigosa, e o mundo é bão.

Pode até comprar comida, mas pra comer num serve não.



Um provérbio indígena questiona se somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, é que as pesoas vão perceber que não podem comer dinheiro.

Aprendizado


Samba da Bênção

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão

Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vida
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

Eu, por exemplo, o capitão do mato
Vinicius de Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia
Terra de Caymmi e João Gilberto
A bênção, Pixinguinha
Tu que choraste na flauta
Todas as minhas mágoas de amor
A bênção, Sinhô, a benção, Cartola
A bênção, Ismael Silva
Sua bênção, Heitor dos Prazeres
A bênção, Nelson Cavaquinho
A bênção, Geraldo Pereira
A bênção, meu bom Cyro Monteiro
Você, sobrinho de Nonô
A bênção, Noel, sua bênção, Ary
A bênção, todos os grandes
Sambistas do Brasil
Branco, preto, mulato
Lindo como a pele macia de Oxum
A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim
Parceiro e amigo querido
Que já viajaste tantas canções comigo
E ainda há tantas por viajar
A bênção, Carlinhos Lyra
Parceiro cem por cento
Você que une a ação ao sentimento
E ao pensamento
A bênção, a bênção, Baden Powell
Amigo novo, parceiro novo
Que fizeste este samba comigo
A bênção, amigo
A bênção, maestro Moacir Santos
Não és um só, és tantos como
O meu Brasil de todos os santos
Inclusive meu São Sebastião
Saravá! A bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

*Letra de Vinicius de Moraes e Baden Powell
**Imagem: detalhe de Orfeu e Eurídice, de Rodin.

Coisas que disseram II

Dá tanto trabalho escrever um livro mau como um bom; ele brota com igual sinceridade da alma do autor. (Aldous Huxley)


Ser razoável com gente estúpida é muito perigoso.( Mário Puzo)


Como é perigoso libertar um povo que prefere a escravidão!(Niculau Maquiavel)


Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difí­cil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.(Guimarães Rosa)


A vida vai ficando cada vez mais dura perto do topo.(Friedrich Nietzsche)


Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas.(Friedrich Nietzsche)


Torna-te aquilo que és. (Friedrich Nietzsceh)


Temos a arte para não morrer da verdade.(Friedrich Nietzsche)


As academias coroam com igual zelo o talento e a ausência dele. (Carlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 8 de abril de 2008

RECEITA




Tudo/nada

tudo,

todos os pensamentos que dissemos dentro de tudo,


nada.