terça-feira, 2 de outubro de 2007

"A lição do amigo" II


Carta ao amigo Josué sobre uma amizade insólita com o amigo Josué

O Josué, desde que eu o conheci, desde sempre já se apresentou pra mim como poeteiro. Mania de grandeza, pensei eu. Afinal, também eu já tinha me arriscado em algumas rimas, perdidas em cadernos antigos. Nem por isso, saía por aí me considerando colega de profissão de Bandeira, Drummond, Lisboa, etc. Mas o Josué não. Era poeteiro e pronto.
Não posso eu, afirmar ainda, que entre nós rolou amizade à primeira vista. Afinal, eu era um moleque recém-saído das asas da mãe que começava a graduação. O Josué não. Era homem feito que já esboçava uma dissertação com vista em uma tese. Era uma criança perto de um homem. não demorou muito, porém, pra descobrir que a criança da história não era eu. Não que eu já tenha me tornado um homem, mas o Josué? Esse nunca deixou de ser criança... E é ótimo que seja assim. Que os velhos de espírito aprendam com ele. Eu aprendi a não ter pressa de crescer. Pretendo formar sendo o mesmo moleque recém-saído das asas da mãe. Obrigado por isso, Josué.
Nossa amizade, porém, ainda não fluiu depois disso. Havia outro entrave. A arrogância intelectual do Josué era algo que me incomodava muito. Felizmente, descobri a tempo que essa arrogância era resultado de alguém que acredita nas coisas que lê e pensa, sem medo de ser julgado ou execrado por isso. Obrigado por isso também, Josué.
Finalmente, então, tínhamos um esboço de uma amizade. Depois que nos tornamos vizinhos de frente, os traços desse esboço ficaram mais fortes. Afinal, abrir a porta do meu quarto significava sempre dar de cara com aquele sujeito de calças engraçadas, de cabelo atrapalhado e com cara de bobo. Ou eu fazia amizade logo com ele ou ia passar a vida achando que tinha morado junto com um palhaço de circo disfarçado de poeteiro. Sim, porque poeteiro o Josué nunca deixou de ser...
Tive o prazer de ler os originais do seu livro bem antes dessa feliz data que se aproxima, em que ele vai poder gritar mais forte ainda do que já gritava, aos quatro cantos, que, afinal, ele é um poeteiro. Na época que li, não me lembro se eu ainda me achava criança perto de um homem ou já me incomodava com a sua arrogância intelectual. Era um ou outro. E que bom que tenha sido assim. Dessa forma, relê-lo agora, publicado, se revelará um novo prazer. Será um novo Josué que descobrirei através dessas linhas, ainda que algumas provavelmente sejam datadas à épocas que o próprio Josué deixou para trás. Não importa. Será uma viagem deliciosa, tenho certeza. Obrigado de novo, Josué.
E finalmente, por que o Josué é um poeteiro e não um poeta, intitulação tão mais comu? Fácil! Porque só um obsceno por natureza colocaria o nome de Zigoto em um livro de poesias...

O Josué, esse aí já nasceu anjo torto...

Um grande abraço,

Vitor Moreira
06/07/06


Então, de forma que, novamente voltando ao assunto da descoberta da amizade, o Vitor, como o Pablo, são dois parceiramigos que encontrei pelo caminho, penso que mesmo geograficamente muito distantes, continuamos nos ajudanto e parceirando uns com os outros, de forma que amizade, no honrado e no final, termina por ser isso, esse "rabisco sem fim". um forte abraço.

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