segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Era só isso que eu queria.



PARA VER AS MENINAS

Silêncio por favor
Enquanto esqueço um pouco
a dor no peito
Não diga nada
sobre meus defeitos
Eu não me lembro mais
quem me deixou assim
Hoje eu quero apenas
Uma pausa de mil compassos
Para ver as meninas
E nada mais nos braços
Só este amor
assim descontraído
Quem sabe de tudo não fale
Quem não sabe nada se cale
Se for preciso eu repito
Porque hoje eu vou fazer
Ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito
Porque hoje eu vou fazer
Ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito

Paulinho da Viola

Era só isso que eu queria, mais nada, só por alguns instantes, ainda que pausados em mil compassos, parar um instante, ver as coisas passando, as pessoas correndo correndo correndo, tudo acontecendo, eu quero essa sorte de ver as meninas, de sentir os meus defeitos, de escutar o som do silêncio dos meus gritos, desesperadamente me desesperar, derramando poesia e melancolia, bebendo poesia e melancolia, triste canção, cantar a canção dos poetas dos boêmios dos mendigos, cantar a canção dos desvalidos, entoar, como "buenos borrachos", a embriaguez de todos os dias, a embriaguez dos filhos da merda, dos filhos do caos, dos filhos do barro negro, queria cantar uma canção que falasse das coisas das pessoas dos dias das noites dos sóis e luas e céus e tardes e lembranças e instantes e momentos e ventos e brisas ventanias temporais desgraças alegrias nostalgias, queria cantar uma canção sobre perfeição. queria uma canção que falasse de amor, um instante entre um compasso e outro, mais nada, uma canção sobre um infinito. é isso, paulinho, isso tudo que eu queria.

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