quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Do avesso eu sou I

Há momentos em que tudo o que temos a dizer é este silêncio clandestino a nos consumir pelas beiradas. Nestes dias o desespero não é mais que uma afável companhia que, embora finjamos não ver, está sentado ao lado, sedando nosso destino e selando este momento inefável de supressão da realidade que desejamos.
Realidade, maldita porta escancarada a mostrar seus dentes seculares. Caninos carnívoros consumidores de sonhos e sonos. Meu silêncio te consome e se consome no teu silêncio, fera dos tempos e companheira das horas opacas. Realidade. Como gostaria de devorar-te como um bife à milanesa, servido na última ceia do último dia destes tempos indecisos em que nem a cólera, nem a revolta conseguem trazer à tona o que restava de esperança.
Vem, realidade absurda, saquear o meu quinhão de dignidade, o que me resta de hombridade, de virilidade e honestidade. Seja lá o que isso for. Atropela o vazio absoluto que criaste no meio da vida em sociedade, da vida em comunidade, civilizada.
O que bebo de ti,
persona non grata, é o veneno com que me mato, é o veneno com que te assassino. Cada gota que injetas em minh'alma, devolvo-te multiplicada em vômito, em asco, em podridão. De resto, além da acidez de meu vômito, tens o meu silêncio, tão absoluto quanto o vazio que constróis e que, que sabe, um dia, no último tardar da esperança, teu vazio te possa consumir e devolver-nos o Nada: a sombra adstringente de tudo o que não chegamos a ser.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Manifesto retornável

Depois de algum tempo na inércia inconsequente dos tempos de professor obsoleto, obtuso, oblíquo e omisso, retorno à blogosfera para continuar fazendo nada. Nada sobre nada, e é isto que me consome, que me consola, que me conduz. Fazer o nada, a antipoesia, a maldição poética dos nossos novos tempos, fazer o que se deve e o que não deve, desfazer e desfazer-se. desfazendo-nos na ignorância terrivel da vida humana.
Prefiro fazer ouvir sambas, sobre nadas e infinitos. Humanos são muito humanos. Poesias são muito poesias e as escolas seguem recapitulando, recapiando, ratificando as palavras do Mário, o de Andrade macunaímico, de que a escola é apenas a pena na imbecilidade de muitos e o orgulho de poucos, é nada, nada vezes nada ao quadrado. e ficamos assim, cada um no seu quadrado, ainda que o quadrado seja um só, na igualdade absurda e adstringente.
Vou fazer um samba antipoético, propagar a antipoesia, a antiarte, a antihumanidade, e fodam-se todos os ismos, lirismos. Eu sou egoísta, eu sou ego, antiartista. Não venha me dizer que estou enganado, que eu estou por fora. Estou in e estou out, EU SOU IN E OUT, dentro e fora, centro-centripeta-centrifuga. Eu sou o que sou e vou mudar, pra melhor ou pra pior. E não quero nem saber.
Poesia é um estado de alma, de raiva, de amor, de revolta, de devassidão. Poesia é nada. E nada é tudo.
Poesia = falta do que fazer = picaretagem = poetas falidos = prolixidade = nada x nada.
Poesia = manifesto = devassidão = tudo x tudo = bobagem = antipoesia = #@*

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Atentado violento ao pudor

diz:Crianças passandofome na rua.

domingo, 22 de junho de 2008

Educar o Olhar


A fotografia como metáfora para educação do olhar

Se tomarmos ao pé da letra o verbo “fotografar”, então teremos a atividade de escrever com a luz. Nesse sentido, a escrita com a luz pode ser considerada como uma metáfora oportuna e necessária para uma educação do olhar.

O que é o olhar humano senão um registro único, individual, portanto, impossível de se repetir, de tudo quanto é escrito pela luz. Como registro único do que se vê, o olhar é, indispensavelmente, interpretação, transformação e reescrita do que se vê, gratuitamente, em tudo que o mundo nos proporciona. Uma vez visto, registra-se na memória e nos sentidos de quem vê.

Da mesma maneira que o olhar humano registra individualmente o que se vê, também a fotografia faz seus registros particulares. Uma fotografia é, necessariamente, um registro individual, ou seja, a cena fotografada será sempre uma leitura daquele que fotografa. A foto, portanto, também é impossível de ser repetida (digo repetida, e não reproduzida), por quem quer que seja, nem mesmo aquele que fotografa. Uma fotografia é sempre um trabalho único.

O trabalho do fotógrafo, ou seja, daquele que escreve/registra através da luz, através de imagens, assemelha-se ao do escritor, que escreve por palavras. Ou seja, o escritor, antes de mais nada, olha, observa o mundo que o rodeia, ele sente e pensa as cores do mundo para que possa registrá-las, grafá-las através da linguagem escrita. Assim é o trabalho do artista, observar, olhar e sentir o mundo que o rodeia. Um poço de sensibilidade a transformar o mundo com impulsos poéticos.

Impulsos poéticos são raros no mundo em que vivemos. A fugacidade do mundo contemporâneo deseduca constantemente nossos sentidos. Mal vemos, mal comemos, mal conversamos, mal dormimos, ouvimos mal e mal fazemos amor poeticamente. Acostumados a correr, corremos sem perceber que corremos. Privamos nosso olhar e nossos demais sentidos da educação necessária do dia-a-dia.

Cidades e mundos modernos são mais que concreto e asfalto, buzina de auto-móvel e fumaça de óleo diesel. Devemos reeducar nosso olhar, ver alem do que se vê, ainda somos humanos, ainda que demasiadamente, seres inigualáveis. Ainda somos poetas. Constantes fazedores de imaginações, ainda somos inegáveis photóphilos, façamos poesias grafando nossas imagens.

Prof. Josué Borges



O texto e a foto são meus.


quinta-feira, 5 de junho de 2008

Ser e Tempo


Paciência

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

A vida não pára!...
A vida é tão rara!...



Composição: Lenine e Dudu Falcão

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Criatividade comanda

Engenharia Química da UFBA: Pergunta feita por professo da matéria Termodinâmica, em sua prova final (esse professor é conhecido por fazer perguntas do tipo “Por que os aviões voam?” em suas provas finais.) Sua única questão, nessa prova, foi:

“O inferno é exotérmico ou endotérmico? Justifique sua resposta.”

Vários alunos justificaram suas opiniões baseadas na Lei de Boyle ou em alguma variante da mesma. Um aluno, entretanto, escreveu o seguinte:

“Primeiramente, postulemos que o inferno exista e que esse é o lugar para onde vão algumas almas. Agora postulemos que se as almas existem, elas devem ter alguma massa e ocupar algum volume. Então, um conjunto de almas também tem massa e também ocupa um certo volume. Assim, a que taxa as almas estão se movendo para fora e a que taxa elas estão se movendo para dentro do inferno? Podemos assumir seguramente que, uma vez que uma alma entra no inferno, ela nunca mais sai de lá. Por isso não há almas saindo. Para as almas que entram no inferno, vamos dar uma olhada nas diferentes religiões que existem no mundo e no que pregam algumas delas hoje em dia. Algumas dessas religiões pregam que se você não pertencer a ela, você vai para o inferno... Se você descumprir algum dos 10 mandamentos ou se desagradar a Deus, você vai para o inferno. Como há mais de uma religião desse tipo e as pessoas não possuem duas religiões, podemos projetar que todas as almas vão para o inferno.

A experiência mostra que pouca gente respeita os 10 mandamentos. Com as taxas de natalidade e mortalidade do jeito que estão, podemos esperar um crescimento exponencial das almas no inferno. Agora vamos olhar a taxa de mudança de volume no inferno. A Lei de Boyle diz que para a temperatura e a pressão no inferno serem as mesmas, a relação entre a massa das almas e o volume do inferno deve ser constante. Existem, então, duas opções: 1) Se o inferno se expandir numa taxa menor do que a taxa com que as almas entram, então a temperatura e a pressão no inferno vão aumentar até ele explodir, portanto EXOTÉRMICO. 2) Se o inferno estiver se expandindo numa taxa maior do que a entrada de almas, então a temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno se congele, portanto, ENDOTÉRMICO. Se nós aceitarmos o que a menina mais gostosa da UFBA me disse, no primeiro ano: “Só irei pra cama com você no dia que o inferno congelar”, e levando-se em conta que AINDA NÃO obtive sucesso na tentativa de ter relações amorosas com ela, então a opção 2 não é verdadeira. Por isso, o inferno é exotérmico.

O aluno tirou 10 na prova.

Moral da história:

“A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original.” (Albert Einstein)

“A imaginação é muito mais importante que o conhecimento.” (Albert Einstein)

“Um raciocínio lógico leva você de A a B. A imaginação leva você a qualquer lugar que você quiser.”(Albert Einstein)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Como eu queria

Wish You Were Here

Pink Floyd

Composição: Roger Waters e David Gilmour

So,
So you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

Did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here


Wish You Were Here


Então, então você acha
que consegue distinguir
O céu do inferno
Céus azuis da dor
Você consegue distinguir
um campo verde
de um frio trilho de aço?
Um sorriso de um véu?
Você acha que consegue distinguir?

Fizeram você trocar
Seus heróis por fantasmas?
Cinzas quentes por árvores?
Ar quente por uma brisa fria?
Conforto frio por mudança?
Você trocou
Um papel de coadjuvante na guerra
Por um papel principal numa cela?

Como eu queria
Como eu queria que você estivesse aqui
Somos apenas duas almas perdidas
Nadando num aquário
Ano após ano
Correndo sobre este mesmo velho chão
O que encontramos?
Os mesmos velhos medos
Queria que você estivesse aqui